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Autoinstituição Da Verdade: Estado do capital e o poder real das ficções coletivas

Autoinstituição Da Verdade: Estado do capital e o poder real das ficções coletivas

Paperback

PhilosophyGeneral Political Science

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ISBN13: 9798170909322
Publisher: Independently Published
Pages: 266
Weight: 0.79
Height: 0.60 Width: 6.00 Depth: 9.00
Language: Portuguese
O mundo não nasceu pronto. As regras que o organizam também não.
Por que algumas construções humanas passam a nos parecer tão naturais quanto a gravidade? Como dinheiro, propriedade, dívida, mercado, Estado, fronteiras e contratos - instituições criadas historicamente - adquirem força suficiente para organizar vidas, distribuir possibilidades e impor limites até mesmo a quem nunca participou de sua criação?

Em Autoinstituição da Verdade, Douglas William Rothemann investiga o momento em que uma interpretação deixa de parecer interpretação, uma regra deixa de parecer escolha e uma ordem histórica começa a ser percebida como realidade inevitável.

Partindo de situações concretas - da burocracia cotidiana ao sistema financeiro, do trabalho invisível à dívida, da formação dos preços ao poder estrutural do capital -, o livro percorre as relações entre Estado, mercado, direito, propriedade, soberania, trabalho e desigualdade. A pergunta não é simplesmente se o Estado é grande ou pequeno, se o mercado é bom ou ruim ou se toda desigualdade resulta de uma conspiração. É mais incômoda: quem pode operar as instituições, quem apenas precisa obedecê-las e quais relações desaparecem quando uma parte da realidade passa a representar o todo?

Ao longo da obra, conceitos como Teatro da Realidade e Narniologia ajudam a examinar como fatos verdadeiros podem ser enquadrados de maneira parcial, como explicações ganham camadas interpretativas e como essas camadas podem, pela repetição, pelo direito, pela linguagem e pelas instituições, adquirir capacidade material de se reproduzir.

Rothemann também confronta uma oposição frequentemente tratada como natural: Estado de um lado, mercado do outro. O mercado moderno depende de moeda, contratos, propriedade, infraestrutura e formas jurídicas; o Estado, por sua vez, não é uma entidade única nem uma simples marionete do capital. Ambos são campos de disputa, coordenação, dependência e poder.

O livro atravessa ainda trabalho, pobreza, crédito, crises, soberania, hegemonia e alternativas institucionais, recusando tanto a ideia de que o presente seja eterno quanto a promessa de que outro sistema esteja historicamente garantido.

Se algo foi construído, isso não significa que possa ser desfeito sem custo. Mas significa que sua existência precisa ser explicada - e não confundida com natureza.

Autoinstituição da Verdade é um ensaio sobre o poder real das ficções coletivas e sobre uma pergunta que antecede qualquer resposta política: quanto daquilo que chamamos de inevitável é realmente inevitável - e quanto apenas encontramos já instituído quando chegamos ao mundo?

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