Terra Prometida
Paperback
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ISBN13: 9798292702610
Publisher: Independently Published
Published: Jul 16 2025
Pages: 188
Weight: 0.57
Height: 0.40 Width: 6.00 Depth: 9.00
Language: Portuguese
Publisher: Independently Published
Published: Jul 16 2025
Pages: 188
Weight: 0.57
Height: 0.40 Width: 6.00 Depth: 9.00
Language: Portuguese
Nos idos de 1940, enquanto a Europa ardia em guerra e incertezas, um jovem
português chamado Joaquim de Sá decidiu partir. Deixou para trás as oliveiras,
o Minho e uma promessa sussurrada no cais: Eu volto por você. Na
bagagem, uma mala de couro, umas poucas moedas e uma carta - paga a
duras penas a um parente distante que garantiu abrigo e trabalho no Brasil.
português chamado Joaquim de Sá decidiu partir. Deixou para trás as oliveiras,
o Minho e uma promessa sussurrada no cais: Eu volto por você. Na
bagagem, uma mala de couro, umas poucas moedas e uma carta - paga a
duras penas a um parente distante que garantiu abrigo e trabalho no Brasil.
Mas promessa, naquela terra, era coisa que o vento carregava.
Quando Joaquim põe os pés no sertão baiano, o calor e a poeira queimam não
só sua pele, mas as ilusões que trouxera. A Fazenda São Jerônimo, herança
de um passado manchado por segredos e disputas silenciosas, o engole como
engolira tantos antes dele. Ali, a terra é vermelha, teimosa - e quem a domina
sabe que não basta ter a enxada na mão, mas o silêncio nos lábios. É assim
que Antônio da Cruz, o patriarca, e Josué, seu filho ambicioso, mantêm todos
sob rédea curta: pela força, pelo medo e pela palavra que não chega a quem
deveria.
Enquanto as cartas que Joaquim escreve para Clara, sua jovem esposa
deixada em Portugal, são roubadas e esquecidas em cestos de papel, ele
descobre que precisa de mais que suor para permanecer de pé. Precisa
aprender a ver no escuro. E nisso encontra sua única aliada: Luzia, uma
mulher negra, velha como a fazenda, que conhece cada raiz dessa terra - e
cada mentira também. Luzia guarda segredos enterrados debaixo do pé de figo
atrás da capela, cartas escondidas, registros que contam outra história: uma
história em que Joaquim não é só um estrangeiro faminto por trabalho, mas
herdeiro de uma terra prometida - roubada de seu avô por mãos que hoje se
dizem donas de tudo.
Mas Joaquim sabe: lutar pela verdade é perigoso quando se está só. Assim,
em silêncio, planta sua rede invisÃvel. Tonho da Reta, peão conhecedor de
trilhas secretas, torna-se seus olhos pelos caminhos. Mariquinha, jovem que
escreve cartas para analfabetos, guarda bilhetes em livros de oração. E Seu
Adolfo, velho esquecido num casebre, oferece mapas e papéis antigos que
podem mudar o jogo. Cada um, peça de uma engrenagem que gira na surdina,
longe dos olhos de Josué, que começa a farejar o que não pode controlar.
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Clara, vestindo o mesmo vestido azul
do dia do casamento, luta para manter viva a faÃsca que Joaquim acendeu
nela. Mesmo quando as cartas param de chegar, ela escreve. Mesmo quando
todos dizem para desistir, ela junta suas poucas economias e prepara a
travessia. O amor entre os dois sobrevive como raiz de mandacaru -
enterrado fundo, firme na seca, esperando a chuva certa para florescer.
Terra Prometida é um romance sobre o que se perde e o que se guarda; sobre
a força de quem não tem nada além de uma palavra e um nome. Fala de heranças que não cabem em documentos - porque passam de boca em boca,
de olhar em olhar, de gesto em gesto. É também um retrato das injustiças que
se perpetuam quando quem manda acredita que tudo pode ser comprado,
escondido ou calado. E é, acima de tudo, um canto de esperança: de que cada
promessa sussurrada um dia encontra solo fértil para brotar.
Entre a poeira vermelha do sertão, as sombras da casa grande e os trilhos da
estrada de ferro, Joaquim e Clara aprenderão que o que se planta no silêncio
um dia se ergue forte o bastante para romper cercas. E quando o trem apita na
estação de Jequié, trazendo Clara com sua mala pequena e os olhos
marejados de horizonte, nada mais pode deter o que é de direito.
Pois ali, naquela terra que sangra e acolhe, é onde fincarão suas raÃzes - não
pela força de um sobrenome, mas pela coragem de quem não esquece que
pertencer também é resistir.
Quando Joaquim põe os pés no sertão baiano, o calor e a poeira queimam não
só sua pele, mas as ilusões que trouxera. A Fazenda São Jerônimo, herança
de um passado manchado por segredos e disputas silenciosas, o engole como
engolira tantos antes dele. Ali, a terra é vermelha, teimosa - e quem a domina
sabe que não basta ter a enxada na mão, mas o silêncio nos lábios. É assim
que Antônio da Cruz, o patriarca, e Josué, seu filho ambicioso, mantêm todos
sob rédea curta: pela força, pelo medo e pela palavra que não chega a quem
deveria.
Enquanto as cartas que Joaquim escreve para Clara, sua jovem esposa
deixada em Portugal, são roubadas e esquecidas em cestos de papel, ele
descobre que precisa de mais que suor para permanecer de pé. Precisa
aprender a ver no escuro. E nisso encontra sua única aliada: Luzia, uma
mulher negra, velha como a fazenda, que conhece cada raiz dessa terra - e
cada mentira também. Luzia guarda segredos enterrados debaixo do pé de figo
atrás da capela, cartas escondidas, registros que contam outra história: uma
história em que Joaquim não é só um estrangeiro faminto por trabalho, mas
herdeiro de uma terra prometida - roubada de seu avô por mãos que hoje se
dizem donas de tudo.
Mas Joaquim sabe: lutar pela verdade é perigoso quando se está só. Assim,
em silêncio, planta sua rede invisÃvel. Tonho da Reta, peão conhecedor de
trilhas secretas, torna-se seus olhos pelos caminhos. Mariquinha, jovem que
escreve cartas para analfabetos, guarda bilhetes em livros de oração. E Seu
Adolfo, velho esquecido num casebre, oferece mapas e papéis antigos que
podem mudar o jogo. Cada um, peça de uma engrenagem que gira na surdina,
longe dos olhos de Josué, que começa a farejar o que não pode controlar.
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Clara, vestindo o mesmo vestido azul
do dia do casamento, luta para manter viva a faÃsca que Joaquim acendeu
nela. Mesmo quando as cartas param de chegar, ela escreve. Mesmo quando
todos dizem para desistir, ela junta suas poucas economias e prepara a
travessia. O amor entre os dois sobrevive como raiz de mandacaru -
enterrado fundo, firme na seca, esperando a chuva certa para florescer.
Terra Prometida é um romance sobre o que se perde e o que se guarda; sobre
a força de quem não tem nada além de uma palavra e um nome. Fala de heranças que não cabem em documentos - porque passam de boca em boca,
de olhar em olhar, de gesto em gesto. É também um retrato das injustiças que
se perpetuam quando quem manda acredita que tudo pode ser comprado,
escondido ou calado. E é, acima de tudo, um canto de esperança: de que cada
promessa sussurrada um dia encontra solo fértil para brotar.
Entre a poeira vermelha do sertão, as sombras da casa grande e os trilhos da
estrada de ferro, Joaquim e Clara aprenderão que o que se planta no silêncio
um dia se ergue forte o bastante para romper cercas. E quando o trem apita na
estação de Jequié, trazendo Clara com sua mala pequena e os olhos
marejados de horizonte, nada mais pode deter o que é de direito.
Pois ali, naquela terra que sangra e acolhe, é onde fincarão suas raÃzes - não
pela força de um sobrenome, mas pela coragem de quem não esquece que
pertencer também é resistir.
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