Ponto de Ruptura: O primeiro sinal não é um estrondo. É o silêncio
Paperback
Publisher: Independently Published
Published: Mar 2 2026
Pages: 202
Weight: 0.61
Height: 0.46 Width: 6.00 Depth: 9.00
Language: Portuguese
O primeiro sinal não é um estrondo. É um silêncio.
Em Santa Mônica, o progresso tem nome e sobrenome: Hospital Metropolitano, a joia da coroa do Concreto Inteligente - uma tecnologia inovadora que promete revolucionar a construção civil e levar saúde à população carente da Zona Norte. Com inauguração marcada e presença confirmada de ministros, a obra é blindada por polÃticos, empresários e pela opinião pública.
Mas, abaixo da superfÃcie do marketing e dos discursos oficiais, existe um ruÃdo de fundo.
Quando uma chuva fina deixa marcas prateadas na pele dos moradores do Parque das Acácias, e os caranguejos de um mangue inteiro aparecem petrificados na lama, uma pequena equipe de cientistas marginalizados começa a desconfiar de que algo muito maior do que um simples vazamento industrial está em curso.
Artur, o toxicologista que aprendeu a ouvir o que a matéria tenta esconder, enxerga no espectro de massa um pico de lÃtio que não deveria estar ali.
LÃgia, a bióloga com instinto forense, descobre que o veneno não veio do rio - subiu do lençol freático.
Barão, o geólogo que lê o solo como escrita, encontra a terra magnética, viva, reagindo.
Cauã, o hacker que enxerga a cidade como dados, vê seu drone cair ao se aproximar do prédio - não por falha técnica, mas porque o concreto simplesmente apagou o sinal.
E Gil Santos, o engenheiro que trava uma guerra silenciosa nos corredores das autarquias federais, tenta, de BrasÃlia, desenterrar os processos engavetados que permitiram a entrada da Massa Negra no paÃs.
O que eles descobrem é assustador: o Concreto Inteligente vendido como inovação sustentável é, na verdade, uma mistura criminosa de cimento com lixo eletrônico importado - baterias de lÃtio, placas de circuito, resÃduos tóxicos que a Europa pagou para ver pelas costas. E, com a tempestade que se aproxima, a reação quÃmica que se esconde nas paredes do hospital está prestes a atingir seu ponto crÃtico.
Mas denunciar não é simples. A máquina pública, comprada e alinhada aos interesses do consórcio, transforma os cientistas em criminosos. O laboratório é invadido. As provas, apreendidas. E, enquanto a contagem regressiva avança, eles se veem forçados a abandonar a ciência oficial e mergulhar na clandestinidade - nos túneis de esgoto esquecidos sob a cidade, nos porões onde a verdade ainda respira.
Com uma janela de poucas horas antes da inauguração, e armados apenas com sensores caseiros, um punhado de dados salvos e a certeza de que a fÃsica não aceita propina, esse grupo improvável terá que fazer o impossÃvel: entrar nas entranhas do monstro que tentaram denunciar e fazer com que o prédio - e seus culpados - finalmente gritem a verdade que tentaram silenciar.
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